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CANSEI DE COMUNICAÇÃO. AGORA VOU TRABALHAR COM…

“São tempos difíceis”, disse minha inspiradora no mundo da comunicação corporativa e super-referência no mercado, com mais de 30 anos de experiência. “As empresas estão sem dinheiro, as equipes cada vez mais enxutas e com mais trabalho”, continuou.

 

“Não sei mais o que faço. Não consigo enviar um orçamento sem que o possível cliente barganhe preço. Já tentei até fazer uma tabela majorada para poder dar o desconto que sempre pedem e ficar no preço justo para mim, mas quando tentei isso, as propostas ficaram sem resposta. Tenho que deixar os preços na tabela que seria o preço justo e convencer as pessoas que não tenho como trabalhar por menos do que estou cobrando”, disse um amigo que é ótimo fotógrafo.

 

“Ai, não me imagino mais cinco anos fazendo o que faço. Já estou casca grossa em contornar conflitos, mas preciso usar os meus talentos para fazer algo que me dê mais prazer. A energia está muito pesada”, disse outro amigo, finalista de um Prêmio Aberjena categoria Gestão de Crises.

 

“Desculpa, não consegui ir à festa. Chega sábado e domingo, eu não consigo sair da cama, só quero dormir”, disse mais um amigo, professor da área e executivo de comunicação, que perde horas por dia em deslocamento, ao se desculpar por não ter ido ao aniversário de um ano do meu filho.

 

“Não aguento mais essa rotina. Tá fogo! Estou tão sem tempo e exausta que não consigo nem sentar para enviar currículos para tentar outras vagas. Quero pedir demissão para estudar para concurso, para ter hora de entrar e de sair. Fulana (outra amiga nossa, e vencedora de um Prêmio Aberje em Comunicação Interna) me chamou para a gente abrir um negócio e eu disse a ela que adoraria ter um negócio próprio, mas só se fosse uma loja de roupas (risos), pois Comunicação é uma furada”, disse uma amiga, gerente de comunicação que só consegue ver a filha de dois anos durante dez minutos por dia durante a semana, quando a criança acorda, antes de ela sair para o trabalho, pois quando volta ela já está dormindo.

 

Não é exagero. Ouvi todos esses relatos em um espaço de tempo de menos de um mês.  Com quase 15 anos de formada, já tive colegas de comunicação que viraram, entre as funções que me lembro de imediato: dono de posto de gasolina, professor de idiomas, funcionário administrativo de um hospital, representante comercial, dona de loja de sabonete e, o caso mais recente, florista para decoração de casamentos. Os depoimentos acima, colhidos em conversas cotidianas, apontam algumas das razões para a descrença com a carreira no mundo da Comunicação Corporativa. E os estou usando para que possamos pensar sobre o que estamos fazendo com o nosso mercado e com as nossas vidas.

 

Nós, agências, estamos nos canibalizando em concorrências, jogando os nossos preços no chão, quase pedindo para trabalhar de graça. Nós, contratantes, estamos sugando até a alma de nossos funcionários, com trabalhos muitas vezes sem importância, por falta de (ou por desvio do) planejamento estratégico e de objetivos concretos a serem perseguidos. Nós, funcionários, estamos esquecendo os nossos laços afetivos com familiares e amigos por estarmos na corrida de ratos do mundo corporativo. Estamos no modo automático. Todo mundo junto e misturado, exercendo mais de um papel nesta ciranda de maluco. Será que estes comportamentos são justos e saudáveis? É isto o que queremos para as nossas vidas?

 

Muitos já disseram não e foram em busca de relações mais equilibradas. Disseram “cansei de comunicação e agora vou trabalhar com…”. Outros reinventaram as vidas dentro da comunicação, seja como professores universitários ou como consultores. E tantos outros ainda procuram respostas para as suas inquietações.

Em qual lado você está? Como o mercado da Comunicação Corporativa tem tratado você? E como você o trata?

 

Artigo originalmente publicado pelo site da Aberje, em 04/08/2014.

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